Sempre a Ver a Luz

by C de Crochê

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about

Disco de estreia de C de Croché

credits

released August 8, 2009

Todas as letras e músicas por C de Croché
Gravado num apartamento entre o Tejo e a Feira da Ladra em 2009
Produzido e misturado por Filipe da Graça
Masterizado por Sebastien Matias
Tratamento das fotos por Cesário Monteiro
Trabalho gráfico por C de Croché

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C de Crochê Lisboa, Portugal

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Track Name: O País do Carver
Todas as noites
À volta do fogo
Narra o mais novo
Estórias lá da América

Lá faz tanto frio
Que só mesmo de carro alugado
Queres ver que o país do Carver
É mesmo um país enregelado?

Há lá russos
E até brasileiros
Que são nuestro hermanos
Só não se avistam americanos

Uns mexicanos cantavam quem a sabia toda
Estavam a milhas de adivinhar
Que esse dogmático não sabia da poda
E que para almejar

Todas as noites
Até se extinguir o fogo
Mas jamais o decoro
Leva-me prà América

Eles lá têm
Barcos no telhados
E quem só degluta
Bifes grelhados

E o mano lá vai
E volta todos os dias prà fogueira
Por vezes entre os dedos
Traz lavoura caseira

Uns mexicanos cantavam quem a sabia toda
Estavam a milhas de adivinhar
Que esse dogmático não sabia da poda
E que para almejar à América chegar
Atravessas o rio e não o mar
Track Name: Conversas Vadias
Isto só lá vai com mulheres
Que façam deste homens, meninos

Em bicos de pé tão triunfantes
Tão cerúleos, tão tolerantes
Tão longe de serem meninos

Ai, que cogitar tão varonil
E onde se refugiou a estouvadice pueril?

Dão-se alvíssaras a quem lhes restituir
Mesmo que devastados
Os castos corações de meninos

Aceitar o cinzel e ser
Menos pedra mais estátua
Refrear esse discurdo
De pouco ardor e perfeita dicção

Ai, que cogitar tão varonil
E onde se refugiou a estouvadice pueril?

Nem menino nem borracho
Não há quem lhe ponha a mão por baixo
Track Name: Cântico dos Noctâmbulos
Fitas o mão da fita num mar de silêncio
Com o punho na boca
As lágrimas mornas escorrem-te pelos nós dos dedos
Dessa mão direita oca

Está na hora de voltar a sorrir
Tão viril, sorrir
Metê-lo num camião TIR
Vê-lo partir

Se esse pranto não secar
Por banal o vão tomar
Se esse padecimento à revelia se revelar
De desonesto o vão rotular

Deixar de jogar num losango dormente
Encontrar parceira fecunda e solvente
Vai ser bom pra toda a gente

Vai ser tão bom para toda a gente
Ai que bom!
Ó se vai, ó se vai, ó se vai
Track Name: Quarterback
Diz-se amiúde que é deprimente
Conheço quem não seja o caso
Não é filho único, é filho suficiente
Ao contrário de muito boa gente
Que mordiscado o fruto apetecido
O semeou no peito, não no ventre
Não deve ser nada bom para o umbigo
Não pode ser nada bom

Se tudo isto são pessoas
Não são preparos para batalhas
Algo vai definhar

E quem no seu televisor inspirado
Para além de um challenger despedaçado
Tenha vislumbrado a mão de Deus
Entre gentlemen e camafeus

E outro que dezoito anos mais para a frente
Sentiu-o aproximar-se por trás
Omnipresente e potente
Jura que degustou o pé de Deus

Há também quem proclame
Que o Senhor devia era jogar futebol americano
Assim ele seria
O seu quarterback freudiano

Se tudo isto são pessoas
Não são preparos para batalhas
Algo vai definhar
Alguém não vai ver as melenas grisalhas
Track Name: Telheiros
Só estou bem se não estou comigo
O que infelizmente só se proporciona
Quando estou contigo
Dentro de ti, da tua zona

A nata da tua geração
É formada por drogados
E grande parte deles são
Adultozinhos assazmente irados

Quando mentires convém
Cingires-te à verdade

Não deves brincar com a retina
Enrugada da burguesia afectada
É cegueira mais assassina
Que essa por aí ensaiada

A turbulência da romance
Perdeu-se na insipiência da tua estante
Nessa terra de ignívoros telheiros
Sem moral para vender aos fedelhos

Quando mentires convém
Cingires-te à verdade

Na retaguarda, um general maçon
E no flanco, o padre cruz

Quando mentires convém
Coibires-te de verdade